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CASA BRANCA FABRICOU DOSSIÊ CONTRA ÁRBITRO BRASILEIRO NASCIDO EM SANTA BÁRBARA D'OESTE PARA PRESSIONAR FIFA

CASA BRANCA FABRICOU DOSSIÊ CONTRA ÁRBITRO BRASILEIRO NASCIDO EM SANTA BÁRBARA D'OESTE PARA PRESSIONAR FIFA

Foto: Reuters

A decisão da FIFA de suspender o cartão vermelho aplicado ao jogador norte-americano Folarin Balogun, após pressão direta do presidente Donald Trump, deflagrou uma crise institucional e política no futebol mundial. A medida, que permitiu ao atleta atuar na fase de mata-mata da Copa do Mundo, foi precedida pela criação de um dossiê, elaborado por aliados da Casa Branca, contra o árbitro brasileiro Raphael Claus — natural de Santa Bárbara d'Oeste (SP) —, responsável pela expulsão.

A manobra envolveu telefonemas de Trump ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, logo após a partida contra a Bósnia-Herzegovina. O documento produzido por aliados do governo americano visava listar supostas inconsistências na carreira do árbitro para fundamentar o pedido de revisão junto à entidade máxima do futebol.

Foto: Reuters

A anulação da punição provocou reações contundentes de órgãos esportivos e lideranças:

  • UEFA: Em nota, classificou a decisão como "sem precedentes, incompreensível e injustificável", destacando que a suspensão automática é um princípio consagrado e não uma opção discricionária.
  • União Europeia: Glenn Micallef, comissário de esportes da UE, afirmou que a instrumentalização do esporte para fins políticos compromete a autonomia das entidades esportivas.
  • Joseph Blatter: O ex-presidente da FIFA criticou a intervenção, ressaltando que "cartões vermelhos não são anulados por telefonemas políticos".
  • Thomas Tuchel: O técnico da seleção da Inglaterra questionou a transparência do processo disciplinar, indagando sobre os fundamentos e os limites desse tipo de decisão.

Nesta segunda-feira (6), Donald Trump defendeu a intervenção, classificando a arbitragem de Raphael Claus como "muito suspeita". O presidente americano admitiu ter solicitado a revisão e afirmou que, inicialmente, desconhecia o funcionamento das regras de punição no futebol.

"Eu vi o lance... Aquilo não foi falta. Esse árbitro é um sujeito meio suspeito se você analisar o passado dele", afirmou Trump.

Até o momento, a FIFA não detalhou os fundamentos técnicos que permitiram a reversão da penalidade, que contraria as normas disciplinares aplicadas pela comissão de arbitragem durante o torneio. A postura da entidade diante da pressão governamental gerou temores sobre a integridade e a credibilidade das próximas etapas da competição.

Texto e Publicação Danilo Telles/Jornalista | Grupo Metropolitana

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