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TRAGÉDIA: CINCO ANOS DEPOIS, RELATÓRIO APONTA EXCESSO DE PESO E PERDA DE CONTROLE EM ACIDENTE QUE MATOU SETE PESSOAS EM PIRACICABA

Queda aconteceu em setembro de 2021, poucos segundos após a decolagem; entre as vítimas estavam cinco integrantes de uma mesma família, além do piloto e do copiloto

TRAGÉDIA: CINCO ANOS DEPOIS, RELATÓRIO APONTA EXCESSO DE PESO E PERDA DE CONTROLE EM ACIDENTE QUE MATOU SETE PESSOAS EM PIRACICABA

Foto: Reprodução

Cinco anos depois da queda de um avião que matou sete pessoas em Piracicaba (SP), o relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apontou uma combinação de fatores que contribuíram para o acidente. Entre eles estão o excesso de peso da aeronave, a interpretação de uma alteração na rotação das hélices e a perda de controle durante a decolagem. O acidente é considerado um dos piores acidentes da história de Piracicaba.

O acidente aconteceu em 14 de setembro de 2021. O avião caiu cerca de 15 segundos depois de deixar o aeroporto de Piracicaba. Todas as sete pessoas que estavam a bordo morreram. Cinco delas pertenciam à mesma família. Também morreram o piloto e o copiloto.

As vítimas da família eram o empresário Celso Silveira Mello Filho, de 73 anos; Maria Luiza Meneghel, de 71; e os filhos do casal, Camila Meneghel Silveira Mello Zanforlin, de 48 anos, Celso Meneghel Silveira Mello, de 46, e Fernando Meneghel Silveira Mello, também de 46 anos.

Celso Silveira Mello Filho era empresário e acionista da Raízen. Ele era irmão de Rubens Ometto Silveira Mello, presidente do conselho de administração da companhia. Os outros dois ocupantes eram o piloto Celso Elias Carloni, de 39 anos, e o copiloto Giovanni Dedini Gullo, de 24.

De acordo com o Cenipa, a aeronave, um Beechcraft King Air B200GT, decolou com cerca de 623 quilos acima do peso máximo estabelecido pelo fabricante.

O relatório aponta que o avião estava com aproximadamente 6,29 toneladas, enquanto o limite previsto era de cerca de 5,67 toneladas.

A investigação considerou que o excesso de peso reduziu a margem de desempenho da aeronave durante uma das fases mais críticas do voo, a decolagem. O relatório também apontou que havia a percepção, por parte do proprietário e dos pilotos, de que o modelo poderia operar acima do peso certificado sem comprometer a segurança.

Outro ponto analisado pelos investigadores foi o comportamento das hélices durante a decolagem.

O piloto percebeu um aumento na rotação de uma das hélices, interpretado na cabine como um possível problema. Porém, segundo os dados analisados pelo Cenipa, a rotação registrada estava dentro dos parâmetros operacionais e não representava uma falha mecânica naquele momento.

Foto: Reprodução

Na tentativa de corrigir a situação, houve redução de potência e a hélice direita foi colocada em posição de bandeira. De acordo com o relatório, essa ação aconteceu aproximadamente quatro segundos antes do impacto.

Ao mesmo tempo, o avião já havia perdido velocidade e entrado em condição de estol, situação em que as asas deixam de produzir sustentação suficiente para manter o voo.

A combinação desses fatores impediu que a tripulação recuperasse o controle da aeronave antes da queda. O Cenipa classificou o acidente como "perda de controle em voo".

A investigação também analisou o histórico de manutenção do avião.

Segundo o relatório, a aeronave havia passado por intervenções relacionadas às hélices antes do acidente. Cerca de três meses antes da queda, a hélice esquerda precisou ser retirada para reparo após a quebra de parafusos de lubrificação.

Entre agosto e setembro de 2021, poucos dias antes do acidente, também foram realizados ajustes nos limites de rotação das hélices. O limite máximo teria passado de 1.950 para 1.990 rotações por minuto.

Os investigadores ainda encontraram rasuras em registros de entrada e saída de manutenção e divergências em relação às ordens de serviço.

Apesar dessas constatações, os testes realizados nos motores não identificaram evidências de uma falha mecânica anterior que, sozinha, pudesse explicar a queda.

O avião saiu de Piracicaba com destino ao Pará. A queda ocorreu aproximadamente 15 segundos depois da decolagem, em uma área próxima à Fatec de Piracicaba.

A aeronave caiu e pegou fogo. As sete pessoas a bordo morreram no local.

O caso passou a ser investigado pelo Cenipa, que analisou os dados dos gravadores de voo, os destroços, registros de manutenção e outras informações relacionadas à operação da aeronave.

A investigação teve caráter preventivo e buscou identificar os fatores que contribuíram para o acidente, além de apontar medidas para evitar ocorrências semelhantes.

Entre as medidas indicadas pelo Cenipa está a avaliação, pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), da necessidade de treinamento, reciclagem ou recertificação específica para pilotos que operam aeronaves desse modelo.

O relatório também considerou que a falta de treinamento específico para determinadas situações de emergência pode ter influenciado a reação da tripulação diante da alteração percebida nas hélices.

Cinco anos após a tragédia, o acidente permanece marcado pela morte de uma família inteira durante um voo que também levava os dois profissionais responsáveis pela operação da aeronave. O relatório do Cenipa aponta que a queda não esteve relacionada a uma única causa, mas a uma sequência de fatores que envolveu o peso acima do limite, a interpretação do comportamento das hélices, a resposta da tripulação e a perda de sustentação da aeronave.

Texto e Reprodução Danilo Telles/Jornalista | Grupo Metropolitana

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