TERCEIRA VIA ENCONTRA DIFICULDADES PARA GANHAR ESPAÇO NA DISPUTA PRESIDENCIAL, APESAR DA INSATISFAÇÃO DO ELEITORADO
Análise aponta que voto estratégico, força de nomes já conhecidos e prioridade dos partidos para as eleições legislativas dificultam o crescimento de novas candidaturas.
Foto: Arquivo TV Metropolitana
Apesar dos índices de avaliação do governo indicarem espaço para uma mudança de cenário na eleição presidencial de 2026, candidaturas que tentam se apresentar como uma alternativa aos principais grupos políticos ainda encontram dificuldades para conquistar espaço na disputa.
Uma análise apresentada pelo programa Band Eleições aponta que fatores como o chamado voto útil, a força de lideranças já conhecidas nacionalmente e a estratégia dos partidos na distribuição de recursos ajudam a explicar por que uma terceira via ainda não ganhou força.
Segundo o cientista político Maurício Moura, candidatos que aparecem inicialmente em terceiro, quarto ou quinto lugar podem conquistar uma parcela do eleitorado, mas enfrentam dificuldades para manter esse apoio à medida que a eleição se aproxima. Nesse momento, parte dos eleitores passa a priorizar uma candidatura considerada capaz de derrotar o grupo político que rejeitam.
O movimento foi chamado pelo analista de “antipetismo de chegada”. De acordo com a avaliação apresentada no programa, eleitores contrários à continuidade do governo podem deixar uma candidatura intermediária e concentrar o voto em outro nome com maior capacidade de chegar à frente na disputa.
Outro obstáculo é a dificuldade de transformar lideranças regionais em nomes conhecidos nacionalmente. Governadores e outros políticos com atuação concentrada em determinados estados têm um período relativamente curto para ampliar a exposição e apresentar suas propostas ao eleitorado de todo o país.
O histórico eleitoral também mostra essa dificuldade. Desde a redemocratização, apenas um governador conseguiu chegar à Presidência da República diretamente a partir de uma trajetória no comando de um estado, o que evidencia os desafios para nacionalizar uma candidatura em pouco tempo.
Além disso, a eleição presidencial continua marcada pela presença de nomes e grupos políticos já consolidados. Lula esteve presente em sete das últimas dez eleições presidenciais, enquanto o sobrenome Bolsonaro também se tornou uma das principais marcas políticas do país.
A estratégia dos próprios partidos também pesa nesse cenário. De acordo com a análise apresentada pela Band, as legendas têm direcionado uma parcela significativa de seus recursos para a disputa por cadeiras na Câmara dos Deputados, reduzindo o investimento na construção de novas candidaturas presidenciais.
O resultado é um cenário em que existe insatisfação com o governo, mas essa insatisfação não necessariamente se transforma em apoio a uma alternativa fora dos dois principais polos da disputa.
Segundo os dados citados na análise, menos de 45% dos eleitores consideram que o governo atual merece continuar. A avaliação positiva da gestão também estaria cerca de dez pontos percentuais abaixo do nível registrado em 2014.
Mesmo assim, a rejeição aos principais nomes e a dificuldade de outras candidaturas ampliarem sua presença nacional contribuem para manter a disputa concentrada. Nesse contexto, parte do eleitorado acaba diante de escolhas marcadas pela rejeição a um grupo político e pelo chamado voto estratégico, em vez da consolidação de uma terceira alternativa.
A análise foi apresentada pelo cientista político Maurício Moura em debate com os jornalistas Fernando Mitre, Eduardo Oinegue e Thaís Dias, no programa Band Eleições, em 22 de setembro.
Texto: Danilo Telles/Jornalista | Grupo Metropolitana

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